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O Tatamirô Grupo de Poesia é um grupo amapaense de declamação de textos poéticos, sejam eles escritos na forma de prosa ou verso em suas múltiplas manifestações verbovocovisuais. Criado em Abril de 2009, o Grupo nasceu do desejo de dizer Poesia às pessoas. De colocar a voz a serviço da Poesia. De falar as coisas do mundo de forma diferente.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Embriagai-vos! Nesta temporada: "Embriagai-vos!"

É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isso; eis o único problema. Para não sentirdes o fardo horrível do tempo que vos abate e vos faz perder para a terra, é preciso que vos embriagueis sem trégua. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor, contanto que vos embriagueis.
Charles Baudelaire



A relação dos poetas com a embriaguez remonta, para ficarmos apenas na tradição ocidental, aos gregos e romanos: os cantos em louvor ao deus Dionísio, às farras e orgias descritas no Satyricon de Petrônio. Fora desta tradição, vale citar o poeta persa Omar Khayyam, que cantou em seus versos as mulheres e os vinhos. No romantismo, a apologia das bebidas etílicas como o vinho, o absinto – esta, inclusive, foi considerada a bebida musa de muitos poetas no século XIX - e de certas drogas como o haxixe e o ópio, serão elementos constitutivos deste movimento que pregava a vida boêmia como condição existencial.  Podemos enumerar uma galeria imensa, em diferentes épocas, de poetas que levaram uma vida regada à bebida: Villon, Baudelaire, Verlaine, Rimbaud, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Álvares de Azevedo, Charles Bukovski, Vinícius de Moraes, Paulo Leminski, Roberto Piva, Isnard Lima, Cruz e Souza, Torquato neto...

"Embriagai-vos!" no II Encontro Amapaense de Estudantes de Letras (EAPEL) - outubro de 2011

O Tatamirô Grupo de Poesia faz, através da Performance Poética “Embriagai-vos”, uma homenagem a muitos desses geniais “papudinhos” da literatura universal.

"Embriagai-vos!" no Quebramar 2011 - dezembro de 2011


Ficha técnica

Concepção: Tatamirô Grupo de Poesia
Elenco: Herbert Emanuel, Karen Pimenta, Ivan Ibarra, Adriana Abreu
Participação especial: Deyse França e Alexandre Avelar
Pesquisa multimídia: Paulo Rocha e Herbert Emanuel
Edição e projeção de imagens: Paulo Rocha
Cenografia: Paulo Rocha e Adriana Abreu
Figurino: Ilce Rocha e Paulo Rocha
Iluminação: Marina Beckman
Contrarregras: Missilene Cabral e Ezequias Corrêa

Quem somos?








Herbert Emanuel – 48 anos, poeta e professor de filosofia. Livros publicados: “Nada ou quase uma Arte” (1997 e 2009), “Do Crepúsculo ao Outro Dia”, com Jiddu Saldanha (2005), “Macapá – a Capital do meio do mundo”, com Adriana Abreu pela Cortez Editora (2008 e 2010), RES (2011) e “Seu Modo de arranjar as Flores” (2011). Integrante do Pium Filmes é o violonista e compositor do Tatamirô.

Adriana Abreu – 38 anos, professora de Literatura, declamadora do Tatamirô, há muito tempo vem trabalhando com seus alunos a criação de performances poéticas teatrais, como veículo para o estímulo à leitura. Há mais de 15 anos, realiza oficinas em diversas instituições do Estado, tendo sempre como foco a relação Literatura, Teatro, Arte, Vida e Cidadania. Integrante do Pium Filmes.

Paulo Rocha – 25 anos, artista plástico e acadêmico dos cursos de Letras (UEAP) e de Artes Visuais (UNIFAP). Integra Pium Filmes – Núcleo do Cinema Possível no Amapá. Lançou, em parceria com o poeta Herbert Emanuel, o livro “Seu Modo de Arranjar as Flores”.

Ivan Alexander Ibarra Vallejos – 28 anos, chileno, músico, licenciado em História, gaitista, já participou de diversas bandas no Brasil e no Chile. Integrante das bandas amapaenses Beatle George e Blues UP! e do Tatamirô Grupo de Poesia.

Karen Pimenta – 23 anos, jornalista, produtora cultural e violoncelista. Co- Idealizadora do Festival Quebramar. Coordenadora de Comunicação do Coletivo Palafita, Ponto de Articulação Nacional do Circuito Fora do Eixo e regional em prol de políticas públicas para cultura destinadas à Amazônia.


Deyse França - 27 anos, atriz, historiadora e arqueóloga. Atuou nas seguintes encenações apresentadas em Macapá (AP): "Quem matou o Curupira?", "Made In" - esta, contemplada com o prêmio Myriam Muniz. É também produtora cultural pelo Coletivo Palafita.








Marina Beckman25 anos, atriz, iluminadora, arte-educadora e produtora cultural. Atuou nas montagens, feitas em Macapá (AP), de"Esperando Godot", "Ensaio ou saio", "Cerejas amargas", "Quatroelementos". É a iluminadora dos espetáculos "Era um vez: três presentes pra vocês", "Cordel do amor sem fim" - espetáculo teatralque circulou toda Região Norte e parte do Nordeste pelo projetoSESC-Amazônia das Artes. Participou da Bienal da UNE em Salvador-BA,Mostra Cariri-CE. Atualmente, ilumina a performance "Embriagai-vos!"do Tatamirô.



Alexandre Avelar – 28 anos, músico, formado em Ciências Sociais, componente das bandas “Mini Box Lunar” e “Samsara Maya”, integra o núcleo durável do Coletivo Palafita- frente do Circuito Fora do Eixo-AP, toca craviola no recital “Embriagai-vos” do Tatamirô Grupo de Poesia. 


Missilene Cabral32 anos, professora de Ensino Fundamental, trabalha com apresentações de fantoches - sempre envolvida em programações sociais que são voltadas para o público infantil nos bairros de periferia da cidade – é contrarregra do Tatamirô Grupo de Poesia.



Ezequias de Souza Corrêa (Zequinha) – 27 anos, concluinte do Curso de Letras da Universidade do Estado do Amapá, é declamador do Tatamirô e contrarregra no recital “Embriagai-vos!”.


 






Repertório




Poema: Embriagai-vos de Baudelaire
Poema-canção: Bebo o vinho do teu corpo (Pablo Banazol- letra/ Herbert Emanuel-música)
Poema: Bacanal de Manuel Bandeira-I estrofe
Poema: Oda al vino de Pablo Neruda
Poema: Melhor vinho de Mario Quintana
Poema-canção: Convite Báquico de Herbert Emanuel
Poema: Álcool de Mário de Sá-Carneiro
Poema-canção: Autopsicografia (Fernando Pessoa-letra/Herbert Emanuel-música)
Canção: Samba para Vinicius de Chico Buarque e Toquinho
Poema: Poética I de Vinicius de Moraes
Poema-canção: Despaupério de Torquália de Herbert Emanuel
Poema: Poética II de Vinicius de Moraes
Poema-canção: Haicagem de Herbert Emanuel, Toni Terra e Paulo Leminsky
Poema: Escrita na agenda de Herbert Emanuel
Poema-canção: Ulisses Revisitado de Herbert Emanuel
Poema: Bacanal de Manuel Bandeira-IV estrofe
Poema: Soneto del vino de Borges
Poema: Vinhos e livros de Marta Cardoso
Poema-canção: Vida breve, Arte longa (Herbert Emanuel-música/ Omar Kayyãm - Heródoto – Fernando Pessoa – letra)

Informações Compactadas


















2 comentários:

  1. Breve eu estarei morto,
    Não importa os dias, os meses, os anos...
    A morte é sempre breve
    E nunca tarda...
    Querem a palavra "Novo"?
    O ovo de Colombo repensado?
    Hoje mesmo eu acordei tarde,
    Sem perspectivas,
    Apenas um hálito amargo na boca
    E lembranças de sonhos frescos...
    É um louco! Diriam...
    Ou um vagabundo...
    Mas o que sabem eles
    Da loucura ou da vadiagem sadia que eu vivo?
    Me tragam conhaque, por favor...
    Ou me tragam vinho, preciso me embriagar!
    É preciso transformar a linguagem,
    Ela é um pedaço de pão duro
    Difícil de mastigar...

    As minhas malas há muito estão prontas
    E o meu terno já veio da lavanderia,
    Apenas o silêncio me incomoda
    E é por isso que eu grito!
    Que me perdoem os vizinhos,
    Hoje não é dia de se matar...

    Chega destes pensamentos inconsistentes...
    Chega! De não dizer nada,
    De ficar calado!
    Isto são apenas rascunhos. Diriam...
    Melhor rascunhos do que nada!
    Ou do que a ordenação lógica das palavras,
    Viva a incoerência do pensamento!
    A fatalidade da vida!
    Do que me vale o caos organizado?

    Como pão com banana,
    Tomo café com bolacha
    E fumo um baseado,
    E não tenho discursos,
    Apenas um monte de palavreados
    Amontoados um em cima dos outros,
    Não tenho treinamento deb guerrilheiro,
    Nem pretenção de ser revolucionário
    Latino americano!
    O meu reino é o das malocas,
    É o das favelas cibernéticas,
    E se segura malandro
    Só sobrarão as baratas
    E traças roendo livros!

    Preciso urgentemente
    Escrever a minha auto-biografia,
    Preciso urgentemente plantar uma árvore
    Ou compor um samba,
    Mas por enquanto
    Preparo o meu arroz integral
    Que eu tô com fome
    E com saudades da Bahia,
    Que esta solidão... Esta solidão
    Me dói a barriga.

    Do que me vale ser poeta?
    Mais vale uma cerveja gelada
    Do que rimas e versos:
    E aí baby bate um msn pra mim
    Que eu tô ligado na sua, hem?

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  2. Não há melhor comentário do que este: a poesia responde à poesia. Estamos embriagados dela, Gabriel Arcanjo. Vida longa!

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