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O Tatamirô Grupo de Poesia é um grupo amapaense de declamação de textos poéticos, sejam eles escritos na forma de prosa ou verso em suas múltiplas manifestações verbovocovisuais. Criado em Abril de 2009, o Grupo nasceu do desejo de dizer Poesia às pessoas. De colocar a voz a serviço da Poesia. De falar as coisas do mundo de forma diferente.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

DA LÍNGUA PORTUGUESA À LÍNGUA BRASILEIRA

Hoje (29.06.2011), estivemos na Escola Estadual Tiradentes para um sarau em homenagem ao nosso idioma.
Os alunos e alunas das turmas 111 e 113 (1º ano do Ensino Médio) leram sonetos de Camões. Os formandos do 3º ano também participaram tocando e cantando. Os tatapiuns Adriana e Herbert apresentaram sua versão musicada das três primeiras estrofes de Os Lusíadas com a inserção de trechos da música Língua  de Caetano:

"Gosto de sentir a minha língua
roçar a língua de Luís de Camões!"

quinta-feira, 23 de junho de 2011


A Scortecci e o Tatamirô Grupo de Poesia convidam para o lançamento do livro RES do Poeta Herbert Emanuel.
Data: 02 de julho de 2011 (Sábado)
Horário: 20h
Local: Centro de Cultura Franco Amapaense
Endereço: Rua General Gurjão, 32
Bairro Central
Macapá - Amapá


O poeta Herbert Emanuel lançará, em Macapá, no dia 2 de Julho de 2011, no Centro Cultural Franco-Amapaense, a partir das 20h, o seu quarto livro de poemas, intitulado: RES.
A primeira sessão de autógrafos do livro RES aconteceu na 26ª Feira de Livros de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, em Maio de 2011. A edição é bilíngue, com tradução feita para o espanhol pelos poetas Leo Lobos e Cristiane Grando. A produção é do Tatamirô Grupo de Poesia.
Dono de uma poética singular, cuja temática predominante é sempre a própria linguagem, neste seu novo livro intitulado RES – palavra latina que significa coisa e que deu origem à palavra real, realidade – Emanuel não foge a esta linha: são 12 poemas que possuem como temática o próprio real, em suas múltiplas manifestações, em que o poeta busca, pela palavra, exprimir seus sentidos, transfigurados em matéria – coisa – poética. Ou como afirma Tânia Ataíde, professora de Literatura: “Nesta busca por significar o real, está – aí a verdadeira busca – a palavra, que, na ânsia de exprimir e na falta de signos que bem expressem o que para o poeta é a um só tempo indizível e impulso do seu fazer poético cotidiano, pede morada no neologismo roseano: o real-palavra é “Nonada” toma de empréstimo o peso-leveza do signo pedra, o real-signo é ônix.”
Mais uma vez o poeta Herbert Emanuel nos presenteia com um belo livro em que se estabelece, numa afirmação poundiana, o jogo inteligente das ideias e dos afectos. Um livro que nos fazer pensar/sentir ou sentir/pensar, como se queira.

sábado, 18 de junho de 2011

TATAMIRÔ - POETAS DA LÍNGUA PORTUGUESA


Tatamirô Grupo de Poesia
Poetas da Língua Portuguesa
Apresentação realizada durante a Primeira Jornada Lusofônica do Centro Cultural Franco Amapaense
Macapá - AP, 10 de junho de 2011


quinta-feira, 16 de junho de 2011

MARCHA DA LIBERDADE AMAPÁ



Eis a Marcha da Liberdade. Para todas as pessoas que não calam e que ainda acreditam na liberdade de expressão. Para todos os movimentos sociais, por moradia, por terra e por uma vida melhor. Contra o racismo, contra a homofobia. Para todas associações de bairros, partidos, anarcos, usuários, oprimidos em geral. Ligas, correntes, grupos de teatro, dança, vagabundos, grafiteiros, operários, feministas, coletivos sonoros, vítimas ...de enchentes, corjas de maltrapilhos e outros afins.

Para todos aqueles que condenam a brutalidade. Todas organizações, coletivos, blocos, bandos bandas que não calam diante da criminalização dos movimentos sociais e da pobreza.

Todos e todas que não suportam mais violência policial repressiva. Que não aguentam mais a caretice proibicionista que proíbe atos, festas e boemias. Que constrói rampas anti-mendingos. Que patrocina uma polícia assassina e violenta.

Que tenta calar a marcha da maconha e não coíbe os skinheads, nazistas de continuarem a agredir LGBTs, nordestinos, pretos e outras maiorias.

Que reprime trabalhadores e professores. Que aumenta o valor do transporte público. Contra a ditadura demotucana, democratizadora da infelicidade e do caos. Vinte anos no poder, sessenta anos de cacetete e bala. Basta!

“Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.” – Cecília Meireles

Siga o @liberdadeMARCHA

    segunda-feira, 13 de junho de 2011

    RESIDÊNCIA POÉTICA EM ISNARD LIMA
                                  

    O QUE É RESIDÊNCIA POÉTICA?

    Residência poética é a expressão que encontramos para definir nosso processo de escolher determinado escritor ou escritora e habitar nele(a) pelo tempo que nos aprouver. Morando nesse(a) autor(a) durante um determinado tempo, nele(a) praticamos exercícios de leitura, estudo, passeio, análise, crítica, entretenimento e o que mais ocorrer.

    ISNARD LIMA- Residência Poética 01



    Eu (Adriana Abreu), o Herbert e a Lívia começamos a Residência Poética em Isnard Lima - poeta nascido em Manaus que morou e publicou por essas bandas.

    O Marco Chagas da Eco Tumucumaque nos cedeu a sala para  encontros às terças, às 19h, no mês de junho. A ideia é que o espaço da Residência Poética seja itinerante.

    Heluana Quintas nos emprestou o único livro que temos até agora: Rosas para a madrugada. O livro emprestado é da 2ª edição que saiu em 1968, a dedicatória é para o pai dela: Cosme Jucá de Lima. Não sabemos de quando é a 1ª edição, mas por ocasião da segunda, Isnard tinha 27 anos.

    Numa espécie de agradecimento ou dedicatória ao pai, ele logo nos revela suas possíveis preferências: o Cubismo e a Poesia de Augusto dos Anjos.

    Estou pensando no berro.
    É necessário berrar alto. Mas o berro é anormal.
    Pode ter raízes cubistas. Pode não ter raízes.
    O meu berro tem raízes cubistas. Desculpem.
    Meu pai me deu dois presentes grandes: boca e pulmão.
    Sei onde escarro, sei onde berro. Sei onde beijo.

    Graças a meu pai,
    O berro está aí

    O livro possui 60 poemas. Na terça-feira do dia 31/05, lemos 40 e chegamos a algumas conclusões.




    EXPLICAÇÃO

    Nasci sob a forma de um peixe
    E depois me alimentei de algas.

    Vinte séculos após, saí da escuridão.

    Estes poemas não têm idade
    Nem sexo
    Nem luz
    Nasceram por acaso
                                                     Sem razão

    Têm perfume
    E não são meus
                                                 Nem teus...
     
    Lá pela leitura do terceiro poema, o Herbert fez referência ao Ezra Pound, dizendo que na classificação deste crítico, Isnard seria lotado na categoria dos que fazem uma poesia do logos, cuja predominância é de conceitos, sem conseguir efetivar o que é imprescindível para que um escritor se destaque ao fazer isso: “a dança do intelecto entre as palavras”. O autor de Rosas para Madrugada faz concessão ao óbvio.

    Certeza

    Amo-te
    e proclamo
    o amor imenso
    estranho
    (e denso)
    que me inspiras

    Apesar de tudo
    teu sorriso
    é mudo
    para mim

    Ainda assim
    sei que não posso
    duvidar
    de mim

    Lívia disse que Isnard empresta para si a persona do poeta desajustado, figura típica do ultra-romantismo. Herbert concordou ao dizer que ele bebe sim nessa fonte e faz uma espécie de remake de poeta boêmio do séc. XIX.

    Marca

    Sou um desajustado social
    Represento o papel de um menino bêsta
    Igual a outros milhares de meninos
                                                                          Pelo Mundo
    Vagabundo
    Ator
    Pa
       
        lha

              ço e bêbedo

    Nesta estrada reta
    Sobrou a máscara
    obscena
                            de Poeta.

    Do poema acima, aproveitei apenas a última estrofe, reajustando-a, a fim de montar um quase haicai.

    Nesta estrada reta
    Sobrou a máscara
    Obscena de poeta.

    Na leitura do Poema ao povo, Herbert fez referência a Mário Faustino, recordando-se de uma crítica feita a um jovem poeta a quem Faustino recomenda não fazer promessas. O poeta não tem que dizer o que o poema é ou será, o próprio poema em si deve mostrar isso; senão é discurso, é retórica, é panfleto.

    POEMA AO POVO

    Meu poema é teu, irmão
    Está à tua disposição em qualquer lugar
    Meu berro de guerra não se perderá no ar!

    Encontrará resposta em outras esquinas
    Subirá às praças, derrubando mitos

    Meu poema é prece de guerra
    Ensangüentando a Terra
    Em que vivemos mortos.

    Vejamos, então, como seria um poema sobre a guerra que leva a crítica de Faustino à risca:

    Leite-breu d’aurora nós te bebemos à noite
    nós te bebemos ao meio-dia a morte é uma mestra d´Alemanha
    nós te bebemos à tarde e de manhã bebemos e bebemos
    a morte é uma mestra d’Alemanha seu olho é azul
    ela te tinge com bala de chumbo te atinge em cheio
    na casa mora um homem teus cabelos de ouro Margarete
    ele atiça seus mastins contra nós dá-nos uma cova no ar
    ele brinca com as serpentes e sonha a morte é uma mestra
                                                                                                        [d’Alemanha
    teus cabelos de ouro Margarete
    teus cabelos de cinza Sulamita

    (duas últimas estrofes do poema de Paul Celan traduzido como Fuga sobre a morte por Sandra Cavalcante)

    A residência poética neste autor continuará. O combinado é que cada um escolha um método de crítica literária que lhe agrade e selecione pelo menos um poema que considere ruim e outro que considere bom. A intenção é pontuar com referências as peculiaridades da escrita de Isnard Lima.

    ISNARD LIMA - Residência  Poética 02


    Quase oito horas da noite do dia 07 de Junho de 2011, lá estávamos eu, o Herbert, o Zequinha, o Renan e o Paulo, na Eco Tumucumaque, lendo os 20 poemas que faltavam para encerrar a leitura de Rosas para Madrugada do Isnard.

    Começamos pelo poema Ressaca. É um poema que resvala no Simbolismo. A primeira estrofe é sugestiva, existe nela a tentativa de efetuar “correspondências” - aproximação entre realidades físicas e sensoriais - tão caras aos Poetas do Inefável.

    RESSACA

    A música das moscas
    sobre a mesa
    zumbe abstrações aéreas
    provoca o espectro
    de ilusões etéreas
    e foge para o Ar!

    Em se tratando dos influxos filosóficos do Simbolismo, é possível fazer menção a Bergson e a sua ideia de tempo como duração. Sobre esse assunto, Herbert assim nos explicou: “A duração é um tempo qualitativo não quantitativo. Não se pode medir, não se pode fragmentar, ele (o tempo) está relacionado a uma vivência, a uma intuição; neste caso é fruto de uma vivência que o poeta experimenta. O movimento da mosca não pode ser quantificado pelo poeta porque ele comparticipa dele. É o tempo absoluto, irredutível ao pensamento conceitual que é captado pela intuição do poeta desse momento. O movimento da mosca é o próprio movimento da vida.”

    Do livro Rosas para a Madrugada, além da primeira estrofe do poema Ressaca citado, só um poema consideramos merecedor deste nome: o poema intitulado Fantástico.

    Nele existe o que tanto Faustino quanto Ezra Pound consideram como aspectos necessários para se fazer boa poesia:

    a) Não utiliza palavras supérfluas:

    A casa onde escondo as minhas ilusões
    está um pouco diferente

    Nem existem lágrimas
    para limpar
    a poeira
    que deixei nas esquinas

    b) Adjetivos usados com parcimônia, sem abstração demais, e no caso do poema considerado, o poeta conseguiu substantivar o adjetivo, o que é muito bom, pois lhe dá concretude (Pound afirma que é preciso sempre temer as abstrações). Entre usar um adjetivo abstrato e um concreto, prefira  sempre este último.

    Rasguei os bruxos chineses
    das estantes

    c) O jogo inteligente das ideias (logopeia) e das imagens (fanopeia) estimulam a imaginação do leitor, como atesta o poema como um todo:

    A casa onde escondo as minhas ilusões
    está um pouco diferente.
    Rasguei os bruxos chineses
    das estantes.

    Nem existem lágrimas
    para limpar
    a poeira
    que deixei nas esquinas.

    Sobrou um disco chorão
    rindo de mim
    em cordas de violino.

    E o meu Stradivarius, senhores,
    morreu
    numa esquina
    romana.

    Há, sem dúvida, neste poema, para usar uma expressão do Mário Faustino: “uma promessa de poeta”. Como ainda não lemos os outros livros do Isnard, posteriores ao Rosas para a Madrugada, não podemos afirmar ainda se ela se cumpre.


    sábado, 4 de junho de 2011

    HAVANA SEM GLAMOUR


    Sobre o livro "O insaciável homem-aranha" de Pedro Juan Gutiérrez

    Por Adriana e Herbert




    Pedro é um escritor cubano. Nasceu em 1950. Trabalhou como cortador de cana, jornalista, vendedor de sorvete. Fez 61 anos e vive numa Havana arruinada. Num primeiro momento teve ardores patrióticos, mas depois se desiludiu. Gutiérrez faz uma abordagem orgânica do bas-fond cubano: prostitutas, traficantes, travestis, assassinos, tarados que, de certo modo, se assemelha ao olhar do americano Bukovsky sobre os seres derrelitos, marginais, que a sociedade não quer ver, mas que estão ali. Logo, é dono de uma literatura visceral construída a partir de experiências repugnantes, donde se extraem encantamentos - uma espécie de sublime do sórdido.


    Em O insaciável homem-aranha, Pedro Juan Gutiérrez trata,também, da decadência do corpo. Descreve um homem que já passou dos 50, disposto sexualmente, mas assolado das covardias que advêm com a idade.


    "Duas adolescentes muito sexy dançavam mexendo a pelve, rindo e quando passei por elas gritaram para mim:

    _ Vai, coroa, vem pra cá que você é suavecito e refrescante, envolvente e elegante e com dinheiro generosoooooo, háháhá. Vai, coroa rico, vem pra cá e vamos gozarrrrr!

    Olhei bem para elas. Deviam ter uns quinze, dezesseis anos. Eram duas mulatas muito magras e com um tremendo suingue. Se fosse uns anos atrás, eu ficava ali e fazíamos uma orgia de quatro dias.Mas os anos não passam à toa. O sujeito vai ficando mais precavido e covardão. Que horror!Nunca pensei que chegaria a ser tão decadente e reacionário a ponto de recusar um convite desses."

    São dezoito narrativas, onde ele descreve o universo lazarento, desprezível de Cuba.Universo marcado pelas peripécias de sobrevivência. Mais do que se valer de um exibicionismo sexual, como fez na Trilogia suja de Havana, o sexo, nos contos de O insaciável homem-aranha, está ali em meio à sarjeta, confundido com o esterco, beira ao asco, ao tédio nada excitante.

    "Música estridente vindo de toda parte, crianças gritando, ruído, os recipientes de lixo transbordando de podridão fétida, as mulheres também gritam. Gostaria de chegar perto da cortina florida e olhar um pouco, bater uma punheta. Posso me aproximar e propor alguma coisa para eles.Perguntar se precisam... de quê? Não sei. De alguma coisa.Ah, já sei, veneno para barata. Querem desinfetar?Atravesso a rua. É muito estreita."

    Sua literatura é mais conhecida fora do que dentro de seu país, pois não agrada ao establishment cubano, ou seja, escapa aos clichês, ao pitoresco, ao exótico que se construiu em torno da Pátria de Fidel.