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O Tatamirô Grupo de Poesia é um grupo amapaense de declamação de textos poéticos, sejam eles escritos na forma de prosa ou verso em suas múltiplas manifestações verbovocovisuais. Criado em Abril de 2009, o Grupo nasceu do desejo de dizer Poesia às pessoas. De colocar a voz a serviço da Poesia. De falar as coisas do mundo de forma diferente.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Revéillon na Casa Fora do Eixo Amapá


Em nosso recital Embriagai-vos há um poema de Vinicius de Moraes que dizemos e dedicamos aos amigos e parceiros do Coletivo Palafita que agora têm uma casa: Casa Fora do Eixo (CAFE) - a nossa casa.

Poética II

Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.
E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.
Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)
Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
- Entrai, irmãos meus!




Venha 2012! Venha mais gente Fora do Eixo!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Entre Medos


Ruben Bemerguy

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”.
Poema em Linha Reta – Fernando Pessoa (Álvaro Campos)

Minha história tem muitas gravuras. Algumas verídicas. Outras, nitidamente imaginárias. É inútil ensaiar separá-las. Elas se equivalem a toda hora. Elas também se amiúdam aos gritos e em silêncio. Eu as ouço e dai tudo se passa dentro de mim. Tenho medo de minhas gravuras. Tamanho é meu medo que, se bem sei, é ele a ilustração mais presente em minha vida.

Mesmo de coisas simples, tenho medo. Medo de poesia, eu tenho. Por isso, pouco a visito. Se me arrisco percorrer seus monumentos, a lua logo influencia meus movimentos e aí torno público o que trago de mais oculto. Sofro com isso. Sempre desejei alguns instantes de paz com a poesia. Poderia ela, não fosse meu medo, ter-me no colo. A pé, passear vagarosamente comigo. Soletrar-me. Despir-me e depois me deitar em seu casulo. Beijar meus olhos. Ah! Poesia, minha feiticeira. Só isso já me bastaria. 

Também tenho medo dos que voam. Não pela preamar dos voos. Tenho medo do pouso. É um risco, por exemplo, pousar em um coração. Se ele é moço e se ainda não crê nos loucos, pobre pouso. Se já maduro, e se se crê exausto e em desuso, pobre pouso. Tenho muitos hábitos de defesa ao menor sinal de um pouso. Pernoito muito por isso desviando-me dos pousos. Não fosse esse medo, faria de mim um pássaro. Não para voar, mas só para pousar. Pousaria preguiçoso no corpo dele. Destruiria todos os muros. Juntos, içaríamos um ao outro. Indo e vindo. Não fosse meu medo, só isso me bastaria.

Tenho tantos e diferentes medos e, ainda assim, desguarneço-me. Contra essa desatenção ensaio todos os meus ódios. Há muito, pus meu exército de prontidão e às suas baionetas e foices descrevo minuciosamente cada poesia, cada possibilidade de pouso. Armo cadafalsos nos lugares mais altos. Secretamente, destruo cidades e dos escombros escuros que sobram desenho nomes. Sobre eles deito para me certificar que premeditadamente os aniquilei. Vou adiante. Alvejo a lua das sextas-feiras. Firo e confiro cada gota de lua derramando. Descanso ao perceber que não existem mais noites de sexta-feira. Também incursiono sobre os sábados e domingos. Inverto suas existências. Sábado é segunda-feira e domingo é terça-feira. Isso, só para proibir e escravizar. Faço tudo sem qualquer piedade. Ao fim, atiro o corpo dele a última estrela do universo. Cansado, volto. Rio do meu exército. Rio da lua gotejando e dos dias da semana que castrei para me proteger dos medos. Sozinho, choro. Choro muito de mim.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Tatamirô brinda o Quebramar!

Vejam como é a vida: em 2010, lembramos bem que ao fazer o contorno no canal para estacionar, a Heluana Quintas (Coletivo Palafita – Mini Box Lunar) estava parada próximo ao portão que dá acesso à nossa casa e agora também à sede dos Tatapiuns, observando a montagem do palco do III Quebramar. Naquela época, não imaginávamos que uma parceria se efetivaria, que aceitaríamos o FEL e muito menos que abriríamos os shows do Festival Quebramar 2011.








Sem dúvida nenhuma foi nosso melhor Embriagai-vos. Pela primeira vez tivemos iluminação. Marina Beckman da CIA Super Nova de Teatro fez a luz, Paulo Rocha cuidou do visual do palco e do nosso, Pepeu do Coletivo Palafita harmonizou o som em conjunto com os técnicos do  Centro de Difusão Cultural Azevedo Picanço, sem falar na participação mais que especial da atriz Deyse França nos poemas-canções: “Ulisses revisitado” e “Vida breve, arte longa”.







O Festival Quebramar, especialmente nesta 4ª versão, que conjugou outras linguagens artísticas, fortaleceu-se ainda mais como instrumento de estímulo à criação local e de divulgação da produção independente/alternativa do Brasil e da América do Sul.


Violentango (ARG)


eh! meu velho Walt Whitman
vamos sair neste dia claro
vamos fumar um charo
nada faremos que não nos dê alegria

Beradella (RO)






como dizia  Montaingne
e sua filosofia
nada faremos que não nos dê alegria






Carol Conká (PR)

e aí?meu grande  Fernando Pessoa
vamos curtir a vida numa boa
sem desassossegos
pelo menos por um  dia


Teatro Mágico (SP)

beber vinho até perder os sentidos
e uivar pra lua – se houver lua –
como dois lobos esquisitos

O Amapá

e assim desta maneira
fazer  triunfar a poesia
contra as besteiras do dia-dia


Os que curtiram até o final


Eia! Eia!Eia! Eia!











quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"Embriagai-vos" no Festival Quebramar








quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Festival Quebramar : ocupar e construir


"O Festival Quebramar já se tornou um dos marcos da cultura amapaense. Em 2011, acontece pela quarta vez e mantém o caráter de ser um dos grandes difusores da nova música brasileira. Após quatro anos, o Quebramar cresce ainda mais e na edição deste ano é apresentado pelo Ministério da Cultura, Petrobras, após ser contemplado pelo Programa Petrobras Cultura ( Lei Rouanet) e Governo do Estado do Amapá. Tem também o patrocínio da Companhia Docas de Santana e do Banco da Amazônia. Filiado à Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), conta também com o apoio do Toque no Brasil.Colaboram com o Festival o Museu da Imagem e do Som (MIS-AP), Croatã, Tatamirô Grupo de Poesia, Pium Filmes, Webcenter Nissim Alcolumbre, Anime Clube, Amapanime, Coletivo de Artistas, Produtores e Técnicos de Teatro do Amapá (CAPTTA), Palhaceata,Youwide Lab Productions, Blog Eu sou do Norte, Fórum Estadual de Economia Solidária. Realização Coletivo Palafita, Circuito Fora do Eixo, Ministério da Cultura e Governo Federal. 

A quarta edição do Festival Quebramar iniciou ontem, dia 06, e termina em 11 de dezembro, na Fortaleza de São José de Macapá, Centro de Difusão Cultural Azevedo Picanço e  MIS-AP, com uma programação voltada para as Artes Visuais, Literatura, Teatro, Audiovisual, Músicas e outros, compreendendo assim, múltiplas facetas da cultura amapense, fortalecendo-a no Estado e debatendo novos rumos de sua produção."

Ontem, formou-se uma mesa de debate sobre "Políticas Públicas para Cultura e Custo Amazônico". Os convidados eram Delson Cruz, representante da Regional Norte do Ministério da Cultura; Zé Miguel, secretário de cultura do Estado do Amapá; Cleverson Baía, vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura, a mediação ficou a cargo de Heluana Quintas, integrante do Coletivo Palafita.

Delson Cruz iniciou sua fala dizendo que nossas demandas são encarecidas devido a localização geográfica. E enfatizou a adesão ao Sistema Nacional de Cultura como de suma importância para a viabilização de projetos. Delson mais de uma vez afirmou  que é pelo consenso e ratificou que somos responsáveis pela matéria prima da Cultura de nossa região.

Cleverson Baía acredita em reformas que se realizam de fora para dentro do sistema e citou o Festival Quebramar como uma delas, advertindo o Circuito Fora do Eixo para que não entre no eixo, evitando, segundo Cleverson, a contaminação aviltada das estruturas viciadas do sistema. E descreveu as ações do Conselho para formação dos Conselhos de Cultura nos municípios.

O secretário de cultura espera que a sociedade civil organizada se mobilize na apresentação de propostas viáveis que solucionem e/ou reduzam o custo amazônico e abriu sua fala enunciando " a gente precisa sair da retórica como se o custo amazônico fosse um corpo estranho" e concluiu seu discurso proferindo um velho ditado: "só quem calça, é que sabe onde o sapato aperta."

Mais uma vez iniciativas como Festival Quebramar pensado, organizado e produzido por gente - como disse Heluana Quintas - que consegue criar, fomentar de modo altenativo e criativo uma rede integrada de trabalho em prol da Cultura é que apontam possíveis soluções para questão levantada no debate e que, como bem afirmou a mediadora, estão escoradas na comunicação e colaboração.