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O Tatamirô Grupo de Poesia é um grupo amapaense de declamação de textos poéticos, sejam eles escritos na forma de prosa ou verso em suas múltiplas manifestações verbovocovisuais. Criado em Abril de 2009, o Grupo nasceu do desejo de dizer Poesia às pessoas. De colocar a voz a serviço da Poesia. De falar as coisas do mundo de forma diferente.

quinta-feira, 24 de março de 2011

EVOÉ BACO!

Por Lívia Verena

 
“Alô, alô Terezinha ! Quanto vale o carnaval ?!”, foi esse o nome do carnaval do Espaço Aberto, ocorrido dia 05 de março de 2011. O baile de carnaval serviu para comemorar a reinauguração do Espaço Aberto (que agora conta com uma fachada linda) e para reunir pessoas a fim de comemorar o carnaval com as saudosas marchinhas.


Logo na entrada da festa, os convidados deparavam-se com uma bilheteria diferente, na qual o comprador decidia quanto valia o carnaval para si e então pagava seu ingresso. Depois, era só entrar, curtir a festa, a decoração (que ficou a cargo do artista-pium-tatamirô Paulo e da Adriana) e a montagem feita pelo PIUM FILMES a partir de vídeos do programa do Chacrinha.

 
















A apresentação do TATAMIRÔ começou quando, intercalando o vídeo de uma apresentação do La Fura Dels Baus, declamamos alguns versos. Em seguida, enquanto imagens relacionadas ao movimento antropofágico deslizavam sobre a tela, Kassia, Renan, eu,  Zequinha, Adriana e Herbert declamamos primeiro poemas individualmente e para finalizar declamamos “Bacanal”, de Manuel Bandeira:


“Se perguntarem: Que mais queres,
Além de versos e mulheres?...
_ Vinhos!... o vinho que é meu fraco!...
Evoé Baco!”






Depois da poesia, a música ganhou espaço; munidos de confete e serpentina, tomamos conta da pista e fomos embalados pelo Mini Box Lunar e conduzidos para os tradicionais bailes de carnaval através das marchinhas cantadas por Roni Moraes. Poesia, boa música, gente alegre: carnaval que não tem preço : ) .
 
 

segunda-feira, 14 de março de 2011

14 de março: Poesia, Pois é, Poesia





POESIA: PAIXÃO (TESÃ0) DA LÍNGUA
                                                               
Pra início de conversa (ou desconversa) fiada, que se fia, se desfia, se ata e se desata, eu desejo que esta seja uma viagem de língua na linguagem, linguaviagem,  ou um banquete de palavras, suculentos pratos de palavras para a nossa “saboração”. Saboração é uma palavra inventada, palavra-valise, pois traz dentro de si (pelo menos, tem essa pretensão) o saber, o sabor e sedução: saboração.

Lewis Carrol, matemático e poeta inglês, autor de “Alice no País das Maravilhas”, foi um grande inventor de palavras-valise: gritos+silvos= grilvos; grama+silvos= gramilvos (na tradução de Augusto de Campos do seu “Jabbrwocky”, Jaguardarte). James Joyce, leitor de Carrol, também: fumante+furioso= fumiroso. Entre nós, Souzândrade, poeta maranhense redescoberto pelos irmãos Campos, com suas palavras-montagem: “jubilogritantes”, “algaverdecomados”, “escamiventreprateados”. Leminsk, em sua poesia-prosa-caoscósmica chamada Catatau nos fornece outro exemplo: “calverdáver”, “contagotagiosas”. Há umas palavras-valise deliciosíssimas do Caetano Veloso, tais como “parafins, gatins, alphaluz, sexonhei da guerrapaz, palávora, lambetelho, frúturo, orgasmaravalha-me, felicidadania”. E por aí vai.

Na verdade, eu desejo que esta conversa seja uma grande brincadeira - brincadeira com a matéria-prima da poesia: as palavras; pois fazer poesia é, de certo modo, molecar com as palavras; portanto, brincar, “descobrir a infância em nós”.  
O meu objetivo aqui é estabelecer um diálogo poético, que é ao mesmo tempo, no dizer do poeta mexicano Octávio Paz, um acordo e um acorde, pois pressupõe a cumplicidade de vocês, mas é também melos, no sentido que os gregos davam a esta palavra, que significava duplamente canto e encantamento. Música, portanto, para ouvidos atentos. Comecemos, então.

Música, melodia, canto, encantamento. O que é a poesia? Eu diria que é o exercício de uma paixão especial: a paixão pela linguagem. O que é uma paixão? Ás vezes é bom começar pela etimologia. Os gregos tinham duas palavras “paixão”: uma que significava “sofrimento”, “fixação”, “obsessão”, era a palavra páthos. (Não é comum dizer-se de uma pessoa apaixonada, que está sofrendo, sofrendo de amor? A paixão – pathos- tem dessas coisas: nos deixa meio paralisados, meio patéticos). Aí entra a outra palavra paixão: é timos. Timós, para os gregos, significava “coragem”, “força”, “ânimo”, (pois timós também pode significar “fumaça”, “sopro”, “vento”, mesma raiz, portanto, da palavra anima, animus). Neste sentido, a paixão também é impulso para fazer algo, é ação, movimento. Pensar o movimento das coisas foi a paixão dos gregos, daí inventarem também a filosofia. Voltando a pergunta: O que é paixão? Eu diria que é o interesse exacerbado, obsessivo, corajoso e desmedido por algo: homem, mulher, planta, bicho, poema.A poesia é exatamente esse interesse exacerbado, obsedante, corajoso e desmedido pela linguagem. É páthos e timós ao mesmo tempo.

Mas o que é a linguagem? Diz o filósofo alemão, Heidegger, que a linguagem é a “morada do ser”; é o lugar, o local, o manancial onde o “ser” se desvela, se revela, vem à tona, isto é, passa a existir. O homem, o mundo e todas as coisas só existem através da linguagem. Como entender o homem, o mundo e as coisas, sem chamá-los de “homem”, “mundo” e “coisas”? Ou como diz Octávio Paz: “A palavra é o próprio homem. Somos feitos de palavras. Elas são nossa única realidade ou, pelo menos, o único testemunho de nossa realidade. Não há pensamento sem linguagem, nem tampouco objeto do conhecimento: a primeira coisa que o homem faz diante de uma realidade desconhecida é nomeá-la, batizá-la”.  E também erotizá-la. 

Se a poesia é a paixão da linguagem, e a linguagem é a “morada do ser”, como disse Heidegger, é evidente que o poeta (poiétes) é o sujeito dessa paixão e é aquele que habita plenamente essa “morada. Na verdade, todos nós habitamos a linguagem, posto que a utilizamos cotidianamente para fins de comunicação. A maioria das vezes é um uso pragmático. Agora, habitar plenamente é outra história. Habitar plenamente é perfurar este manancial, que é a linguagem, fazendo jorrar a “palavra dizente” , o pulso das palavras, como disse Maiakóvsky neste belo poema,transcriado pelo poeta Augusto de Campos:

Sei o pulso das palavras, a sirene das palavras
Não as que se aplaudem do alto dos teatros
Mas as que arrancam caixões da treva
e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro 
Às vezes as relegam inauditas, inéditas
Mas a palavra galopa com a cilha tensa
ressoa os séculos e os trens rastejam
para lamber as mãos calosas da poesia
Sei o pulso das palavras, parecem fumaça
Pétalas caídas sob o calcanhar da dança
Mas o homem com lábios, alma, carcaça

Fazer jorrar a “palavra dizente” significa dizer o essencial. Dizer o essencial é justamente dizer o não-dito, o que escapa à rotina dos clichês, ou dizer o já dito de outra forma,inventando para as palavras já gastas, corroídas e enferrujadas novos relacionamentos, nova sintaxe. 

Só o poeta é capaz disso, dessa “residência poética”. “Rico em méritos, é, no entanto, poeticamente que o homem habita esta terra”, afirmava o poeta alemão Hölderlin. Habitar a terra, ressignificando-a. Há aqui uma responsabilidade ético-estética com a linguagem. O bom poeta torna a língua mais rica; o mal poeta a empobrece. Pois “a poesia é como a lavra do radium, um ano para cada grama – para extrair uma palavra, milhões de toneladas de matéria-prima”, já exigia Maiakóvsky. Poesia é linguagem elevada à enésima potência de significação. Neste aspecto, vale citar o poeta Manoel de Barros, que expressa num único verso esta função precípua do poeta e da poesia: MINHOCAS AREJAM A TERRA; POETAS, A LINGUAGEM.


Evoé, Poesia!

Herbert Emanuel






Imagens da comemoração do Dia da Poesia
Realização: Grupo Tatamirô de Poesia, Pium Filmes, Fora do Eixo Letras (AP)
Local: Anfiteatro da Fortaleza de São José de Macapá













terça-feira, 8 de março de 2011

LANÇAMENTO DO FORA DO EIXO LETRAS NO AMAPÁ E EM TODO O BRASIL

Santana 11/03/2011 (Praça Cívica do município às 18h)
Macapá 12/03/2011 (Praça da Bandeira às 18h)


O Tatamirô grupo de Poesia e o PIUM FILMES são o ponto de linguagem do Fora do Eixo Letras  no Amapá. Integrado a parceiros, os tatás e os piuns estão preparando o lançamento do FEL durante o Grito Rock que no Amapá acontecerá nas datas expostas acima. Saiba mais, agora:

"O fanzine chega para possibilitar que as palavras sigam o rumo das notas musicais, acordes, baquetas, ximbaus, palhetas e cases nos mais de 130 pontos onde acontece o Festival Grito Rock."
O FEL - Fora do Eixo Letras - lança seu primeiro fanzine, OrFEL, uma publicação que contém poesia e prosa de diversos escritores ligados ou não ao Circuito Fora do Eixo. O fanzine contendo representantes de todas as regiões do país, irá circular em formato impresso em todos os pontos onde acontece o Festival Grito Rock América Latina.
No total, foram mais de 100 trabalhos inscritos para o fanzine, que reúne 14 autores selecionados por uma curadoria formada pela FEL e pelo Núcleo de Poéticas Visuais. A relação entre estas duas frentes do Circuito Fora do Eixo favorece a discussão sobre a literatura e as artes visuais, bem como demais núcleos artísticos, como o AudioVisual e o Clube de Cinema, buscando compreender a cadeia produtiva das linguagens artísticas para pluralizar conceitos e democratizar seu acesso.
Acreditando que toda palavra tem seu sentido construído socialmente, OrFEL espelha alternativas elaboradas coletivamente e se apresenta como uma forma de produção, circulação e divulgação de obras para as cidades onde ocorre o Festival Grito Rock 2011.


Os autores de OrFEL#00

OrFEL conta com autores de todas as regionais ligadas ao Circuito Fora do Eixo, o Norte, Nordeste, Centro-oeste, Sudeste SP/RJ, Sudeste MG/ES e Sul. Entretanto, há autores de fora do circuito que também fazem parte do fanzine. Seu conteúdo preza pela singularidade e diversidade estilística, gerando uma sutil sensação de tournê dos autores e de suas palavras durante o Festival Grito Rock.
Dentre os estados participantes, Minas Gerais se destacou como o que mais enviou obras para a curadoria. Entretanto, além dos talentosos mineiros, vários sotaques literários, sabores e sintomas proporcionam aos leitores uma visão para além da palavra-livro.

Entre as folhas de OrFEL é possível encontrar, por exemplo, a poesia da bahianinha Brisa Moura, de apenas 16 anos, escolhida para representar a Regional Nordeste. E, apenas algumas páginas a frente, a prosa de Maryllu Caixeta, doutoranda em estudos literários pela Unesp de Araraquara/SP e autora do livro Leros e Boleros, uma das representantes da Regional Sudeste SP/RJ.

Conheça os autores selecionados para o fanzine OrFEL:

Regional Norte:
- Jenifer Nunes - Coletivo Palafita - Macapá/AP
- Kaline Rossi - Coletivo Catraia - Rio Branco/AC

Regional Nordeste:
- Brisa Moura - Jequié/BA

Regional Centro-oeste:
- Waller Chaves - Goiânia/GO

Regional Sudeste RJ/SP:
- Fabiana Ribeiro - Araraquara/SP
- Clara Mancuso - Coletivo Ajuntaê - Campinas/SP
- Maryllu de Oliveira Caixeta - Araraquara/SP

Regional Sudeste MG/ES:
- Crys Marques - Coletivo Corrente Cultural - Poços de Caldas/MG
- Renan Moreira - Coletivo Corrente Cultural - P. de Caldas/MG
- Luis Fernando Resende - Uberlândia/MG
- Marco Antonio Neri - Coletivo Namarra - Santa Luzia/MG
- Leon Aguiar - Uberlândia/MG

Regional Sul:
- Neo One Eon - Movimento Soma - Porto Alegre/RS
- Isabela Cunha - Coletivo Alona - Londrina/PR

Fora do Eixo Letras

A FEL - Fora do Eixo Letras - é a frente temática do Circuito Fora do Eixo que reúne escritores, fanzineiros, artistas visuais, músicos, acadêmicos e leitores interessados em compreender a cadeia criativa e produtiva da palavra em suas diversas formas - escrita, falada, visual, sonora e multimídia.

Seus primeiros passos foram dados durante o III Congresso Fora do Eixo, em outubro de 2010, na cidade de Uberlândia (MG). A partir de então, começou a articulação de seus membros para o reconhecimento e mapeamento de livros, fanzines, clubes de leituras, festivais, iniciativas literárias e demais trabalhos realizados pelos Coletivos e por outros atores sociais, buscando confrontar experiências locais e visualizar horizontes em comum. A elaboração e circulação do fanzine OrFEL é a primeira ação do Fora do Eixo Letras, definida em seu planejamento para 2011.




O Grito Rock é demais!!!
19.03.2011

Por Zequinha Tatá

     O Fora do Eixo Letras (FEL) e o Grito Rock abalaram com as estruturas de Santana na Sexta Feira do dia 11 de Março de 2011. Foi simplesmente demais! Em um Palco armado na Avenida Ubaldo Ribeiro, várias bandas de rock se apresentaram e a “rockada” rolou solta. Como não poderia deixar de ser, o Circuito Tatamirô de Poesia também marcou presença com uma intervenção poética que efetivou o lançamento do FEL no Estado do Amapá. Enquanto Zequinha do Tata,  Adriana Abreu e Herbert Emanuel apresentavam o   OrFEL (fanzine criado pelo Coletivo especialmente para a ocasião) o público aplaudia manifestando sinal de aprovação e satisfação pela performance.
     No dia 12, a festa bombou em Macapá, mais precisamente, na Praça da Bandeira, onde outras bandas de rock tocaram e o público, que apesar da chuva, compareceu em grande quantidade e ficou satisfeitíssimo, delirando ao som das diversas bandas que se apresentaram no Grito Rock de Macapá. Nesse dia, não foi possível que Tatamirô se apresentasse, todavia, as pessoas puderam visitar, descansar e se esbaldar com a poesia que tinha no nosso nicho, montado no palanque da praça. Quem quisesse, poderia ler poesia nas garrafas ou no chão ou na tela ou poderia declamar ao microfone, bastava somente querer.

Imagens do lançamento do FEL em Santana - AP









Imagens do lançamento do FEL em Macapá - AP














quinta-feira, 3 de março de 2011

ALÔ, ALÔ, TEREZINHA! QUANTO VALE O CARNAVAL?!

terça-feira, 1 de março de 2011

Benedito Nunes - o Sábio da Estrela (1929-2011)




Tive o privilégio de conhecer e ser aluno do professor e filósofo paraense Benedito Nunes, na década de 80, quando cursava Filosofia na Universidade Federal do Pará. Sua sabedoria e extremada generosidade me marcaram profundamente. Com ele aprendi a gostar ainda mais de filosofia e, principalmente, a entender melhor a relação existente entre esta e as artes. Participei de alguns encontros em sua casa, para estudar Heidegger, um dos seus filósofos preferidos. Éramos um grupo bem pequeno de jovens estudantes de filosofia, ávidos por conhecimento, que o professor Benedito Nunes, compreensivo e generoso, acolhia em sua casa.

a casa
- como um ventre
nos acolhe
morada íntima
a casa é muito mais
que paredes e tijolos

a casa somos nós
nós a construímos
com nossos devaneios
nós nos construímos

Ficávamos deslumbrados – eu, sem dúvida – com tanta sapiência. Saíamos de lá felizes com os vários livros que ele nos emprestava e, às vezes, nos presenteava. Eu mesmo guardo na minha biblioteca alguns números da revista “Le Temps Modernes”, dirigida pelo filósofo existencialista Jean Paul Sartre, que ele me deu.

Benedito Nunes foi - e será sempre, pois seu pensamento permanece através dos muitos livros e artigos que escreveu - um grande mestre da filosofia que soube, como poucos, com maestria, articulá-la com as demais áreas do saber humano, principalmente com a literatura. Era sempre uma experiência instigante e saborosa assistir às suas aulas, cursos e palestras. Um grande sábio, sem dúvida, o “Sábio da Estrela”, como era chamado carinhosamente, pois residia numa rua denominada “Travessa da Estrela”, no bairro do Marco, em Belém do Pará. Ele  iluminou com sua brilhante sabedoria toda uma geração de alunos. Eu fui um deles.

Herbert Emanuel