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O Tatamirô Grupo de Poesia é um grupo amapaense de declamação de textos poéticos, sejam eles escritos na forma de prosa ou verso em suas múltiplas manifestações verbovocovisuais. Criado em Abril de 2009, o Grupo nasceu do desejo de dizer Poesia às pessoas. De colocar a voz a serviço da Poesia. De falar as coisas do mundo de forma diferente.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Lançamento do RES, livro de poesia de Herbert Emanuel na 26ª Feira do Livro de Bento Gonçalves - RS


Por Tânia Ataíde
Professora de Literatura

Benedito Nunes, em introdução ao excelente Poesia-Experiência de Mário Faustino afirma que “linguagem eficaz é a que não distrai do significado”, a que é “precisa ainda quando nos fala do impreciso”. Nestes 12 poemas-escultura do poeta-filósofo Herbert Emanuel, cada palavra eleita para significar o real é meticulosamente escolhida, arduamente trabalhada para tirar dos versos a possibilidade de com pouco dizer muito. Prossegue, assim, a tendência já exposta em seu livro anterior, Nada ou Quase uma Arte, de extrair das asperezas do real – “a pau e pedra”, por vezes – a matéria-prima para sua poesia.

Nesta busca por significar o real, está – aí a verdadeira busca – a palavra, que, na ânsia de exprimir e na falta de signos que bem expressem o que para o poeta é a um só tempo indizível e impulso do seu fazer poético cotidiano, pede morada no neologismo roseano: o real-palavra é “Nonada”; toma de empréstimo o peso-leveza do signo pedra, o real-signo é ônix.

O que é o real além de uma miragem, diante da impossibilidade – de que fala Kant – de se alcançar a coisa-em-si? Essa impossibilidade, porém, não impede o poeta de explorar
o real a partir de todos os seus vislumbres, desde o acaso, por ser este real “Taça do Inesperado”, até sua face “seca e dura”, concreta, proporcionando metáforas raras para que se possa visualizá-lo “com seus dois mil círculos concêntricos / suas  formas de água”. Um real que ora se abre “em pedra”, ora humaniza-se, mostrando-se “cauteloso, excessivo, confortável”, “com seu ar espesso”, evocando as palavras de João Cabral de Melo Neto: “Como todo o real / é espesso. / Aquele rio / é espesso e real.”

Ao leitor é reservado o poder de preencher as lacunas, animar, no sentido de dar de si na reelaboração dos significados do real. E o próprio poeta se propõe leitor e experimenta sua criação, nesse jogo de criador e criatura: agora é poeta e capta o que o rodeia; agora é leitor, consumidor de sua própria matéria. A matéria real coisa-concreta: res.

Lançamento do livro com sessão de autógrafos
26ª Feira do Livro de Bento Gonçalves - RS
Data: 12 de Maio de 2011
Local: Café da feira
Horário: 17h45min





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